Spotlight e o bom jornalismo
- 10 de jan. de 2016
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O filme Spotlight: Segredos Revelados é surpreendente. Com a direção de Tom McCarthy, o longa – baseado em fatos verídicos - tem com enredo um grupo de jornalistas que reúnem provas para “denunciar” casos de abuso infantil por padres católicos em seu jornal The Boston Globe.
Por ter um pouco mais de duas horas e não ser recheado de ação, o filme pode tornar-se um pouco maçante. Acredito que poderia perfeitamente ser um longa de uma hora e meia, considerando o seu espírito documental. Todavia, não podemos esquecer que as matérias investigativas também correm em um tempo maior. Não tem o imediatismo tanto pregado nas redações e salas das faculdades de jornalismo ultimamente. Não sei se o diretor manteve sua obra maior a fim de provocar tal reflexão, mas achei genial de qualquer forma.
O embate entre o imediatismo e a apuração também aparece durante o filme, em uma única, mas marcante cena. Os prazos também surgem no final do longa, afinal não há todo o tempo do mundo, até para matérias investigativas tão complexas.
Porém, o que mais me atraiu em Spotlight foi à reflexão que ele traz a nós, jornalistas. Não apenas o embate sobre imediatismo, mas principalmente sobre a tão falada crise no jornalismo. Fica claro, para mim, que matérias investigativas, aprofundadas, apuradas nunca perderão o seu espaço. Afinal o primeiro “policial” de um local deve ser o seu jornal ou revista e isso fica cristalino no filme. As matérias que são apenas “corriqueiras” se perdem, mas as matérias como a de Spotlight servem para fazer barulho e ordenar mudanças.
Sendo assim, caros jornalistas, assistam ao filme e tentem colocar a essência deste em suas matérias. Podemos não mudar as coisas de uma hora para outra, mas sim contribuir para que ela ocorra.





























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